STJ revoga prisões de investigados por suspeitas em contrato milionário das UPAs de Palmas

Dhieine Caminski e Andreis Vicente da Costa poderão responder ao processo em liberdade, com tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares. Cláudia Fernanda também teve habeas corpus concedido.



O Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu habeas corpus à ex-secretária de Saúde de Palmas Dhieine Caminski e ao ex-superintendente de Atenção à Saúde Andreis Vicente da Costa, investigados por suspeitas de irregularidades na terceirização das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Norte e Sul da capital.


As decisões foram tomadas nesta quarta-feira (2) pelo ministro Reynaldo Soares da Fonseca.


A empresária Cláudia Fernanda Cândido da Silva, apontada pela investigação como integrante do suposto esquema, também teve o pedido de habeas corpus aceito. Até a última atualização, porém, ainda não havia sido publicado o documento formal de soltura dela.


Com a decisão, Dhieine e Andreis poderão responder ao processo em liberdade, mas terão de cumprir algumas restrições.


Entre as medidas determinadas pelo STJ estão o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de frequentar órgãos públicos, a restrição de contato entre os investigados e o comparecimento periódico à Justiça.


No caso de Andreis, o ministro autorizou a convivência familiar e afetiva com Cláudia Fernanda, companheira dele.


A 3ª Vara Criminal de Palmas ficará responsável por acompanhar o cumprimento das medidas.


Ao analisar os pedidos, o relator avaliou que a prisão preventiva poderia ser substituída por medidas menos severas nesta fase do processo.


Entre os argumentos considerados estão a conclusão do inquérito policial, o fato de os investigados já não ocuparem os cargos públicos e a ausência de violência nos crimes investigados.


O ministro também levou em conta as condições pessoais dos réus, como residência fixa e primariedade.


No caso de Dhieine, a decisão ainda apontou que o Tribunal de Justiça do Tocantins havia acrescentado fundamentos para manter a prisão que não constavam no decreto inicial.


Dhieine, Andreis e Cláudia foram presos em junho durante a Operação Falsa Emergência, da Polícia Civil do Tocantins.


A investigação apura suspeitas de direcionamento, superfaturamento e fraudes no contrato de R$ 139,1 milhões firmado para a terceirização das UPAs Norte e Sul.


O acordo havia sido celebrado com a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba.


O inquérito foi concluído ainda em junho e dez pessoas foram indiciadas. Depois, os investigados foram denunciados e passaram a responder a uma ação penal.


O Tribunal de Contas do Estado suspendeu a contratação após apontar indícios de irregularidades e questionar a vantagem econômica do modelo para o município.


O TCE também determinou que a Prefeitura de Palmas reassumisse a gestão das UPAs dentro do prazo estabelecido, mantendo o atendimento à população.


As defesas de Dhieine e Andreis afirmaram que as decisões garantem aos investigados o direito de responder ao processo em liberdade. A ação tramita sob segredo de Justiça.

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