Gustavo Veloso Feitosa foi encontrado morto após passar o fim de semana na casa do pai, em Palmas. Polícia afirma que lesões na região anal e intestinal fazem parte de um contexto de agressões; hipótese de violência sexual ainda é investigada.
A criança foi encontrada morta na segunda-feira (3), depois de passar o fim de semana na casa onde o pai estava. A versão apresentada inicialmente pela defesa de Igor era de que Gustavo havia sofrido um princípio de afogamento na piscina no domingo (2). A perícia, entretanto, não encontrou sinais de afogamento e identificou múltiplas lesões no corpo.
Durante entrevista coletiva nesta quinta-feira, o delegado Eduardo Menezes explicou que a investigação considera que os ferimentos encontrados na região anal e no intestino estão inseridos em um cenário de violência intensa contra a criança.
Segundo o delegado, a avaliação atual é de que essas lesões tenham sido provocadas como instrumento de tortura.
A possibilidade de Gustavo também ter sofrido violência sexual continua sendo investigada. Conforme Menezes, as características das lesões encontradas em diferentes partes do corpo levaram a polícia, neste momento, a analisar o caso principalmente como homicídio e tortura.
O delegado explicou que, caso fossem identificadas somente as lesões anais e intestinais, a investigação poderia apontar para um crime sexual seguido de morte. Gustavo, porém, também apresentava ferimentos na cabeça e hemorragia interna.
Por esse motivo, a Polícia Civil ainda aguarda exames complementares antes de estabelecer definitivamente a dinâmica dos crimes. Entre as análises solicitadas estão pesquisas de sêmen, álcool e drogas.
A tipificação dos crimes também poderá ser modificada conforme os novos resultados periciais.
A análise realizada pelo Instituto Médico Legal (IML) identificou hemorragia interna, laceração intestinal e marcas de agressões em diferentes regiões do corpo.
O diretor do IML de Palmas, Eduardo Godinho, já havia informado que os primeiros exames não encontraram elementos que indicassem afogamento.
O estado em que Gustavo chegou ao instituto foi considerado incomum pelo médico legista, que relatou a existência de sinais de violência na face e internamente.
A defesa de Igor afirma que, no domingo, ele percebeu o filho em uma aparente situação de afogamento na piscina e prestou os primeiros socorros. Segundo essa versão, Gustavo expeliu água, voltou a reagir, tomou banho e foi colocado para descansar.
Na manhã de segunda-feira, o pai teria percebido que a criança não apresentava sinais vitais. Os advogados afirmam que Igor ficou abalado e deixou a residência, mas depois procurou espontaneamente a Polícia Civil, prestou depoimento e entregou as chaves do imóvel para a realização da perícia.
Após ser ouvido naquele dia, ele foi liberado.
Com o avanço das investigações, a Polícia Civil pediu à Justiça a prisão preventiva de Igor e Kathellen. Os mandados foram cumpridos na madrugada desta quinta-feira.
A defesa do pai sustenta que ele não tentou fugir e que a apresentação para o cumprimento da prisão foi acertada previamente com a autoridade policial. Também informou que não vai comentar os detalhes da investigação enquanto o caso estiver sob sigilo.
Os advogados de Kathellen afirmaram que receberam com surpresa a decretação da prisão preventiva e destacaram que ela é mãe de uma bebê de cinco meses que ainda estaria sendo amamentada.
A defesa informou que pretende recorrer à Justiça para substituir a prisão preventiva por outras medidas cautelares ou, alternativamente, conseguir prisão domiciliar.
Também sustenta que Kathellen se apresentou espontaneamente para o cumprimento da ordem judicial.
Igor e Sabrina da Silva Feitosa, mãe de Gustavo, não viviam juntos e enfrentavam disputas judiciais.
Um vídeo feito no fim de semana em que a criança morreu mostra Gustavo chorando e resistindo a ir para a casa do pai. Questionado pela mãe sobre o motivo, o menino diz que o pai batia nele.
A defesa de Sabrina informou que ela já havia relatado episódios em que o filho retornava machucado das visitas. Segundo os advogados, a mãe temia impedir a convivência entre pai e filho sem autorização judicial e ser acusada de alienação parental.
A mãe também mantinha uma ação judicial relacionada ao pagamento de pensão.
A Polícia Civil ainda busca estabelecer a dinâmica completa das agressões e a participação atribuída a cada um dos investigados.
Com os elementos reunidos até agora, a apuração considera homicídio duplamente qualificado e tortura. A suspeita de violência sexual permanece em análise e dependerá, entre outros elementos, dos resultados dos exames complementares.
Igor e Kathellen permanecem presos preventivamente enquanto o inquérito segue sob responsabilidade da Polícia Civil.
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