Bruna Gabrielle Neves recebeu sete votos pela cassação. No mesmo dia, a Justiça determinou um novo afastamento por 90 dias durante investigação sobre contratos da prefeitura.
A Câmara Municipal de Praia Norte cassou o mandato da prefeita Bruna Gabrielle Neves (PSD), conhecida como Bruna do Ho Che Min, durante uma sessão extraordinária realizada na sexta-feira (21).
Sete vereadores votaram a favor da cassação, número suficiente para atingir os dois terços necessários para a perda do cargo.
No mesmo dia, a Justiça determinou que Bruna ficasse afastada da prefeitura por mais 90 dias. A medida foi adotada no processo que apura supostas irregularidades em contratos municipais e desvios de recursos públicos que, segundo as investigações, podem chegar a R$ 4,4 milhões.
A defesa da prefeita afirma que a cassação é resultado de “perseguição política” e informou que pretende recorrer à Justiça.
O processo de cassação teve origem em duas denúncias aceitas pela Câmara em junho.
Uma delas trata de suspeitas de irregularidades em contratos municipais que somam cerca de R$ 4,48 milhões.
A segunda envolve atrasos no repasse do duodécimo devido à Câmara durante 2025. Os valores foram posteriormente regularizados, mas, segundo o processo legislativo, os pagamentos não ocorreram dentro dos prazos previstos.
Após a votação, a perda do mandato foi formalizada por decreto legislativo.
Uma ação civil do Ministério Público também investiga contratos firmados pela gestão municipal.
Entre eles estão contratos com a empresa Realeza Construções. Segundo as investigações, a empresa não teria estrutura física, funcionários ou equipamentos compatíveis com os serviços contratados.
A apuração aponta ainda que serviços de recuperação de estradas pagos à empresa teriam sido executados com máquinas da própria prefeitura.
Outro contrato analisado envolve obras de pavimentação. O valor contratado era de aproximadamente R$ 1,08 milhão.
Conforme auditoria administrativa, cerca de R$ 780 mil haviam sido pagos, mas somente aproximadamente 25% do serviço previsto teria sido executado.
Essas informações ainda são objeto de investigação e deverão ser analisadas durante o andamento dos processos.
Bruna já havia sido afastada do cargo por 90 dias em maio deste ano. Depois de uma série de decisões judiciais, ela voltou temporariamente à prefeitura no dia 17 de agosto.
Quatro dias depois, o juiz Jefferson David Asevedo Ramos, da 1ª Vara de Augustinópolis, determinou um novo afastamento por 90 dias.
Na decisão, o magistrado considerou que a permanência da prefeita no cargo poderia interferir na produção e preservação de documentos importantes para a investigação.
Também foi citado o fato de pedidos de informações feitos pela Câmara e pelo Ministério Público terem ficado sem resposta durante mais de 150 dias.
Apesar do afastamento determinado pela Justiça, a decisão prevê a manutenção da remuneração durante o período.
O advogado Antônio Ianowich Filho afirmou que a cassação aprovada pela Câmara é uma “perseguição política” e informou que serão adotadas medidas judiciais contra a decisão.
Em relação às investigações sobre os contratos, a defesa afirmou que respeita as determinações judiciais, negou participação da prefeita em irregularidades e disse que pretende demonstrar a inocência dela no processo.
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